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09 novembro 2008

Painted Black

Numa entrevista bastante clarificadora, Luís Fazendeiro e Daniel Lucas- guitarrista e vocalista dos Painted Black, respectivamente -, conseguiram em 10 respostas falar sobre rótulos musicais, processo de criação musical da banda e sua essência, o espectro musical underground, alguma coisa sobre o futuro desta grande promessa portuguesa, entre muitas outras coisas.

LAF - Os Painted Black têm um nome em Inglês, as letras são em Inglês… porquê Verbo?
Daniel Lucas - É complicado explicar o porquê dessa escolha sem mistificar um bocado. Para uma explicação simples, considero “Verbo” uma palavra forte que consegue transmitir percepções diversificadas a quem a ler. Para um falante português é uma palavra que pode levar a variadas interpretações, mas o mesmo poderá acontecer a alguém que não fale a nossa língua pois o equivalente, por exemplo em inglês ou francês não é muito diferente. Acredito que as palavras numa banda têm de ser tão fortes como a sua música, por isso o título foi ponderado dessa forma, para estar em uníssono com tudo o resto que existe além do título. Mas é livre a outras interpretações.


LAF - Seria Black Metal Melódico ou Ambiental um bom termo para definir os Painted Black?

DL - Sem te querer ofender, não tocamos Black Metal. Não nos inserimos nessa categoria de Metal sonora ou liricamente. Se ouvires bandas que tocam Black Metal (como por exemplo Satyricon, que estou a ouvir agora enquanto respondo à entrevista) vais verificar que não são grande comparação a se fazer à nossa musicalidade. Se tivermos que encaixar Painted Black num rótulo, aquele ao qual temos sido associados é o de Doom Metal. No entanto também temos alguma coisa de Death Metal, como temos de Atmosférico e uma outra panóplia de rótulos. Não temos propriamente uma linearidade musical que se insira numa só categoria. Talvez tenhamos um apontamento ou outro de Black Metal, mas deve ser só isso, um apontamento. Quando estamos a criar música não estamos a pensar que vamos fazer isto soar a Doom ou Death ou o que quer que seja, porque acho até que é uma forma muito restritiva de criar música, ou criar o que quer que seja. Não acho boa ideia querer criar algo e logo à partida estabelecer limites tais como rótulos musicais, que hoje em dia são tantos e variados que chegam a roçar o ridículo. Quem ouve a nossa música é livre de a interpretar como quiser, mas digo-te que se for rotulada logo a princípio, perde-se muito daquilo que realmente fazemos. Dentro de uma só música de Painted Black conseguimos encontrar diferentes espectros do Metal, mas unidos de uma forma coesa, sem costuras. E dentro dos nossos EP's também se encontra essa variedade de faixa para faixa. Aquilo que já até foi confundido por falta de direcção devia ser interpretado como uma escolha de vários caminhos, sem restrições ou barreiras de rótulos. Cada música é uma tempestade feita de outras pequenas tempestades. Em conclusão e depois deste discurso secante, só quero dizer que rótulos “suck”!


LAF - Além das bandas que influenciaram o som dos Painted Black, quais são as outras bandas que vocês ouvem, mas que não estão directamente ligadas ao vosso som?

DL - Seria uma lista enorme. Para mim é mais fácil dizer o que não gosto. Não gosto de dance music. Não tenho nada contra quem gosta ou quem faz dance music. Simplesmente não gosto logo, não ouço. Conheces o canal de televisão francês MCM? Pois grande parte da música que passa nesse canal é o género de música que não gosto. E falando de canais de televisão. Conheces o canal VH1? Gosto muito dos clássicos que passam nesse canal e não só dos clássicos do rock. Dos anos 60 aos anos 90 há muita música de que gosto e não é exclusivamente Metal. Se assim fosse, se só gostasse de Metal ou achasse que só Metal é que é bom seria uma pessoa muito limitada.


LAF - Qual a banda que vocês sonham algum dia poder partilhar um palco, por muito improvável ou impensável que seja?

DL - Também seria uma lista interminável. Mas como só pedes uma digo-te qual é a que está no topo da minha lista: My Dying Bride, porque são a banda que mais gosto (não a única, mas a preferida). E também porque gostava de gozar com o Aaron e apresentar os Painted Black tal como ele apresentou os My Dying Bride em Eindhoven no ano de 1995.


LAF - Luís, em que momentos e locais é que crias dedilhados e solos tão melódicos, ambientais e sentimentais? Onde arranjas inspiração?

Luís Fazendeiro - Bem, primeiro de tudo agradeço as palavras! A inspiração é algo que não consigo controlar mas as minhas ideias, por regra, surgem em casa. É um processo bastante solitário porque preciso de me isolar de maneira a retirar o máximo partido desse momento em que sinto predisposição para compor. Algumas vezes até consigo pressentir a inspiração antes sequer de pegar na guitarra, é muito fruto do momento e do meu estado de espírito na altura. O que é certo é que sempre tive a necessidade de me expressar e quando a música entrou na minha vida do ponto de vista de executante e não de mero ouvinte, ajudou e muito a saciar essa necessidade. É algo inato em mim, mas como podes perceber, é algo que dificilmente consigo definir plenamente por palavras. Tudo o que faço é extremamente pessoal e honesto e o único esforço consciente que faço é já numa segunda fase em que começo a estruturar o que criei e a adicionar outras camadas que ajudem a definir melhor o que pretendo transmitir musicalmente. Relativamente a solos e sem me alongar muito mais, é preciso também dar crédito ao Miguel, o nosso outro guitarrista, que na minha opinião fez o melhor solo do “Verbo”, no interlúdio acústico do tema “The Sin Path”.


LAF - Achas que o vosso som consegue mexer com os sentimentos das pessoas? Acima de tudo, vocês consideram-se uma banda sentimental, apesar do muito bom peso que se ouve por vezes?

LF - Bem, a única certeza que te posso dar é que mexe com os nossos sentimentos! Há sem dúvida um lado bastante emocional na nossa música e deve-se muito à forma como é criada. Se conseguimos ou não ter essa empatia com as pessoas que nos ouve, é algo que não podemos responder. Se existir é extremamente gratificante, mas em última análise, não nos vejo como uma “banda sentimental” mas como uma banda que sente genuinamente o que faz e que o tenta transmitir honestamente. Seja com peso, melodia ou melancolia, o importante é conseguirmos canalizar os momentos maus da vida para criar algo que no fim nos faça sentir bem. Se não estivermos sós nesse caminho, melhor ainda!


LAF - Qual é a tua opinião sobre a cena underground portuguesa? Conta-nos as tuas experiências sobre um meio em que já andas desde 2001: as dificuldades pelas quais vocês passaram, as coisas boas – e más, de certo - de pertencer a este circuito, etc.

LF - Bem, é verdade que começámos actividade em 2001, mas o contacto mais directo que tivemos com o meio apenas foi em 2005, com a edição da nossa primeira demo, “The Neverlight”. Até então as dificuldades que encontrámos foram as que todas as bandas que começam encontram normalmente: dificuldade em arranjar local de ensaio, comprar material, saída e entrada de elementos e fortalecer a nossa vontade de continuar com a banda. As coisas verdadeiramente más estarão sempre relacionadas com a saída de elementos da banda, porque são sempre situações muito delicadas e geralmente com pessoas amigas. Tudo o resto é uma questão de perseverança e de não nos deixarmos abater. O lado bom será sempre o orgulho que sentimos quando nos propomos a algo e o concretizamos, como a gravação das 2 demos. Sentir que nos esforçamos e os nossos objectivos se cumprem, isto sempre com os pés bem assentes na terra! Obviamente que todas as pessoas que recebem e abraçam a nossa música e todos os amigos que fazemos por estarmos neste meio são um presente enorme e que por vezes nos ajuda a crescer como pessoas e nos enriquece a alma. Quanto à cena underground portuguesa, houve claramente um aumento exponencial no número de bandas e paralelamente, o aumento de condições para estas registarem a sua música com melhor qualidade e exporem-na a um maior número de pessoas. O que lamento é a falta de visão de alguns promotores de espectáculos, a contínua resistência de estabelecimentos em ter concertos de metal e o encerramento de locais que antes os realizavam.


LAF - Em que ponto se encontra o vosso álbum de estreia que está para vir? Como está a correr todo o processo?

LF - O nosso álbum de estreia está actualmente a meio! Temos 4 temas registados, dos 8 que o irão integrar. Vamos começar a enviar promo packs para editoras e ver se temos a sorte de aparecer alguém interessado em editar. Entretanto temos já estúdio marcado para acabar as gravações no próximo ano nos UltraSound Studios, em Braga, por isso o nosso objectivo é mesmo terminar o álbum independentemente se conseguirmos arranjar editora até lá ou não.


LAF - Vêem-se a atravessar as fronteiras nacionais nos próximos anos?

LF - É um assunto que já conversámos entre nós, mas até terminarmos as gravações do álbum é algo que simplesmente não vemos a acontecer. Depois disso, iremos com certeza estudar essa possibilidade.


LAF - Há alguma coisa que queiram acrescentar?

LF - Muito obrigado pela entrevista! Votos de sucesso para o Melomanologia, saudações para todos os que estiverem a ler e quem quiser ouvir alguns dos nossos temas ou informar-se mais sobre os Painted Black visitem o nosso site oficial em www.paintedblack.no.sapo.pt e o nosso myspace em www.myspace.com/blacktapestry.

22 setembro 2008

Revolting Breed

Os gregos Revolting Breed, a nova promessa do Thrashcore, como anunciado, concederam uma entrevista ao Melomanologia, na qual se encontra tudo sobre a cena metal na Grécia, o combustível que move a banda e as razões porque ainda se faz música por gosto.


LAF - How's the Metal scene in Greece?
Alexander - There is a big number of underground bands [appearing in] the last years and several of them worth people's attention. But their existence is based mainly in local-town gigs and some demo releases. So it's very difficult for them to reach non-Greek ears. We also suffer from many quality issues: bad studios, bad producers, bad live sound and above all a wrong (actually non existent) perspective about the do it on you own logic. The whole situation is considered non profitable from the labels so their only "way out" has become the web.

Paulo Lemos - Do you have social or political ideals? What are they?
A - Of course we have. We think that each one of us on this planet has a consciousness that uses for everything he feels and does in his life. Breathing is a choice, loving is a choice, hating is a choice, closing your eyes or fighting against is another choice... There is no excuse. All your actions have a political, ethical and social dimension.

LAF - What are the bands that influence Revolting Breed?
A - Each one of us listens to a bunch of different stuff but Revolting Breed is the outcome of bands like At The Gates, The Haunted and the whole Swedish sound [Death Metal Melódico, principalmente], Lamb of God, Machine Head and also some death, punk or hardcore stuff...

LAF - Are you guys giving regular shows in Greece? Have you manage to play outside Greece?
A - The last four years that we’re together we’ve played in several cities in Greece. But we haven't done anything outside our country. Without a label, promoter, manager or whatever... is very difficult to arrange something like that. It can only happen with small bands in small places and when you have a small pocket is even more difficult with the transportation and accommodation issues. It needs a lot of time, effort, e-mails and probably money to do this.
But we definitely want to try to schedule it sometime in the near future!

LAF - Why did you liberate your album for free on the internet?
A - From the very beginning we never thought Revolting Breed to be a source of money or profit for us. We even considered to distribute our album for free. We finally decided to ask for a small 5 euro help [risos] for the production costs and for ensuring better circumstances for our future work! We use the money for better studio, live and recording equipment. As for the internet we give our music to the people for free and we just expect them to appreciate it!Who ever wants to support us can easily order our CD directly from us. Unfortunately we don't have any distribution deals with independent labels for now except one or two I think...

LAF - Lots of people consider Rise Against as one of the finest debut albums ever. Were you aware of that when you released it?
A - No, and we still believe the same thing... [risos]. We just did our best in playing, recording and producing our music. I'm sure there is a lot of bands out there who do the same and much better. And it's important to search and discover all these bands that didn't have
the "luck" of having a multinational label behind them...

LAF - Are you guys working on new material? Is there a new Revolting Breed album to be released?
A - Actually yes! We are in the middle of composing and arranging new songs. We hope that there will be a new album within the next year. We will probably do the production and mixing process completely on our own this time so it maybe take a little longer than usual. [ :) ]

LAF - Is Rise Against the first of a succession of great albums?
A - [Risos] We really can't say. We will be more than happy to know that some people think of us this way!! If we have the time and will to play together for some more years, be sure that we will do our best both in albums and live gigs to make ourselves and all those listening to Revolting Breed having a great time!!

LAF - Do you want to add something else?
A - We just want to thank you for the obvious support that you're showing us!! Just do the same for all these bands out there doing things on their own not because they can't otherwise but because they choose not to. We hope to see you some time in a live gig! Thanks again! Rise And Revolt!

05 setembro 2008

Resposta Simples

Com o recém-lançado álbum de lançamento, Sonho Peregrino, ainda quente, o vocalista e guitarrista dos Resposta Simples, Paulo Lemos (também conhecido como Paulinho dos Açores), fala acerca do álbum, fala sobre esta banda hardcore, do seu futuro, entre outros. Ainda há bandas com espírito.


LAF - És o vocalista e guitarrista dos Resposta Simples e és o guitarrista dos Greg The Killer. Como é que consegues conciliar as duas bandas?

PL - Consigo conciliar sem grande dificuldade. Como a cena alternativa é um meio mais restrito e pequeno, é normal neste movimento as pessoas partilharem duas, três ou mesmo quatro bandas. Os Resposta Simples são uma projecto com mais de meia década de formação e embora estejamos separados (eu estou a estudar em Coimbra e o Tiago e o Gouveia em Vila Real), conseguimos sempre conciliar ao longo destes tempos a nossa actividade profissional e vida social de modo a podermos actuar o máximo número de vezes. Com os Greg The Killer, acabei por usufruir de experiência diferente, pois há já alguns anos que não tinha uma banda cujos membros morassem todos na mesma cidade, neste caso em Coimbra. Temos assim mais possibilidades para ensaiar, dar concertos e gravações já que a nossa mobilidade é mais acessível que a dos Resposta Simples. São diferentes bandas com diferentes espíritos, mas ambas com uma muito boa atitude e sentimento.


LAF - Porquê o título Sonho Peregrino?

PL - O título do álbum foi dado por um amigo meu, Luís Nobre, que é responsável pelas letras dessa canção e do tema "Ofício de Viver". Sentimos que a sua escrita adequava-se à música da nossa banda e daí achamos que seria uma boa aposta conjugarmos os seus poemas com as nossas canções. Resultou muito bem no "Ofício de Viver" e quando lemos o "Sonho Peregrino", achamos que o significado do poema incorporava-se no espírito da banda. O texto fala sobre a nossa submissão à prória vida e a apatia que muitas vezes somos expostos. Estão também inerentes ao poema a confusão e a instropecção que é própria do ser humano. O "Sonho Peregrino" acaba por ter um significado muito pessoal e abstracto, ficando a conclusão ao cuidado de cada um. Recomendo que passem no nosso myspace e que retirem a vossa própria interpretação.


LAF - Foi boa a recepção pelo público a Sonho Peregrino?

PL - Felizmente temos tido uma boa recepção por parte do público e da imprensa, o que nos deixa muito felizes. A edição de um álbum é uma das grandes metas de qualquer banda e ver que o nosso trabalho está a ser apreciado já é uma enorme recompensa por si mesmo.


LAF - Quais são as influências musicais dos Resposta Simples?

PL - Temos todos diferentes influências musicais dentro da banda, mas posso dizer que o Hardcore dos anos 80 influenciou muito a sonoridade da banda. O Street-Punk e o Trashcore também são estilos que apreciamos imenso e que acabam por influenciar a nossa sonoridade.


LAF - Rock in Rio 2010? Vão estar presentes ou isso é para meninos?

PL - (risos) Já tivemos a experiência de tocar para públicos como a Queima das Fitas de Vila Real ou nas Festas Académicas da Covilhã, onde estavam presentes centenas ou mesmo milhares pessoas e podemos dizer que a sonoridade dos Resposta Simples enquadra-se melhor em pequenos espaços destinados a sonoridades mais agressivas. O feedback do público é muito maior e mais e agressivo e isso acaba também por reflectir na nossa prestação enquanto banda. Sentimo-nos muito mais vivos quando actuamos nesses espaços.


LAF - Qual é a essência deste power-trio?

PL - A amizade.


LAF - Qual é o futuro da banda, visto que, agora que o baterista regressa à Terceira, tu vais para os Estados-Unidos?

PL - Como a maioria das pessoas deste meio, não fazemos da nossa vida profissional a música. Acabou por acontecer que nesta altura estejamos separados. Mas isso já tinha ocorrido quando nos mudamos de residência dos Açores para Portugal continental. E isso não impediu que continuassemos a tocar, gravar e a ter muitas boas experiências. De certeza que iremos encontrar uma solução para os próximos tempos, como tem sempre vindo a acontecer.


LAF - Paulinho, qual era a pergunta que gostavas que eu te tivesse feito e não fiz? Queres responder-lhe?

PL - Penso que não há mais nada a dizer e que fizeste boas perguntas a abordar os Resposta Simples e a nossa perspectiva da banda. Boa sorte para o teu blogue e continua com o bom trabalho! Que corra tudo bem com o Melomanologia!

06 agosto 2008

Rejects United

Após a boa recepção ao EP Rebound Aftermath, os lisboetas Rejects United lançam o seu primeiro álbum - Boyhood Survival Kit. João Campos, vocalista e guitarrista, fala sobre este lançamento - escrutinando-o minuciosamente -, e não só. Atenção: eles querem marcar o rock português! E ouvem Metallica e Pantera.

LAF - É este álbum olhar para trás, para os tempos de vocês enquanto rapazes e as experiências por que passaram? É Boyhood Survival kit um manual de instruções para sobreviver à adolescência?

JC - É um manual de sobrevivência para o coração adolescente, aquele que se deixa levar por paixões incendiárias e que pode levar, como no caso da personagem do álbum, à loucura e à perdição. Funciona como um aviso para não se levar demasiado a sério as primeiras paixões dum coração em construção. É sem dúvida um olhar para trás para vivências, sentimentos e situações pelas quais passamos. É também o fechar dum capítulo das nossas vidas que nos marcou bastante.

LAF - Como surgiu a ideia da engraçada banda-desenhada da artwork da capa e do booklet?
JC - A banda desenhada foi sempre uma influência constante na minha vida. Quando chegou altura de escolher um meio para transmitir o conceito do álbum, que melhor maneira de contar uma historia do que através de imagens? Depois de delinear a narrativa, associei cada música a uma imagem condensando-as depois nesse booklet de 8 páginas, ficando com um aspecto mais de BD. Sendo o packaging do álbum uma mochila penso que é legitimo esta conter além da "tralha" que todos nós guardávamos na mochila, o livro de BD boyhood survival kit.

LAF - A vossa sonoridade possui traços emo, embora disfarçados. É este um estilo musical que os Rejects United gostem de se passear ou surge espontaneamente no processo de composição?
JC - Quando dizes traços emo, se te estás a referir a música com uma forte carga emocional, sim somos sem dúvida uma banda com esses traços mas nada é forçado para soar assim, tentamos ser o mais sinceros possível, é o q flui de nós. Gostamos de algumas bandas que são denominadas emo, mas não nos revemos de todo em excessos que algumas dessas bandas caem.

LAF - Quem é que traz as influências punk para a banda e quem é que traz as mais pesadas, o hard-rock, e até o Metal?
JC - É um pouco difícil separar quem é que traz o que, eu sempre ouvi Rock, Hard-Rock, Grunge e Metal desde de miúdo, só há poucos anos é que comecei a interessar-me mais pelo punk e hardcore. O Spínola (guitarrista solo) começou pelo rock tipo Guns and Roses, passou pelo punk, jazz, e agora anda numa fase de rock progressivo como Mars Volta e também cenas como Radiohead. O Vítor (baixista), assim como o Rodrigo ( baterista) ,vieram do punk; oVítor passou pelo reggae anda agora mais numa onda de rock "clássico" como Doors, se bem que também gosta muito de Metal - uma das suas bandas favoritas é Metallica. O Rodrigo além do Punk (Lagwagon, Bad Religion, Soziedad Alkoholika), gosta de Metal (Pantera) e Rock ( A Perfect Circle). Portanto como vês temos todo partilhamos essas influências tanto do Punk como do Metal e como é claro Rock.

LAF - Porque optaram por cantar em Inglês?
JC - Não foi uma opção, desde de miúdos que somos mais influenciados por bandas, filmes e livros de origem Anglo-Saxónica do que propriamente por autores portugueses, com o todo o respeito que os autores portugueses merecem (um dos meus escritores favoritos é sem dúvida José Saramago). Penso que é normal que quando começamos a compor as músicas e a escrever letras estas saíssem em Inglês. Penso que existe neste momento uma espécie de "caça às bruxas" a bandas que cantam em inglês... Enganem-se aqueles que pensam que bandas a cantar em inglês têm maior facilidade em ser promovidas, pois não é verdade. Continua a existir o forte estigma contra bandas que não cantem em Português.

LAF - Como foi trabalhar com um ilustre como Alan Douches [engenheiro musical. Masterizou álbuns para os Mastodon]?
JC - Foi um processo colaborativo à distância, a interacção foi feita apenas por e-mail, ele enviava versões masterizadas das músicas, ouvíamos, respodíamos dizendo o que achávamos e chegamos a um resultado que agradou ambas as partes. Penso que não há muito mais a acrescentar.

LAF - Para quem não teve a oportunidade de estar presente, como correram, tanto o concerto de apresentação do álbum (MusicBox, Lisboa), como os Showcases Fnac (Chiado e Cascais)?
JC - O concerto de lançamento foi uma festa no lugar ideal, para amigos e fãs que nos acompanharam no longo percurso até ao lançamento deste álbum, regada com muito rock! Estamos orgulhosos do Boyhood Survival Kit finalmente ter saído para o mundo, o lançamento não poderia ter corrido melhor. Em relação aos showcases acústicos nas Fnacs, está a ser uma experiência interessante, estamos a gostar de dar espectáculos mais intimistas em contraponto a energia visceral dos eléctricos. Perde-se uma pouco da agressividade das versões originais mas ganhas uma maior profundidade nas mesmas. Temos tido uma resposta bastante positiva a esta abordagem acústica.

LAF - Como viram o facto de Boyhood Survival Kit ter sido classificado com um 8 (em 10) pela prestigiada revista RockSound?
JC - Orgulhosos como podes perceber, foi o primeiro feedback que tivemos de imprensa especializada e não podia ser melhor. Entretanto já tivemos outras boas reviews como a da Big Cheese (outra revista de música inglesa) que deram 4/5 e em alguns blogs espalhados pela net. Ao mesmo tempo não nos deixamos iludir pelas boas reviews - são apenas opiniões, claro que são importantes e dá-nos força saber que alguém reconhece qualidade no nosso trabalho, mas sabemos que ainda temos um longo caminho a percorrer até chegarmos aos objectivos a que nos propusemos.

LAF - Vêem-se como uma banda a deixar uma marca no Rock português?
JC - Esperamos deixar, não é coisa que nos passe muito pela cabeça, mas sim, esperamos vir a deixar uma marca nem que seja provar que o rock em Portugal não está morto e que uma banda portuguesa pode pensar em alcançar algo além-fronteiras, não se limitando apenas ao território nacional. Mas penso que mais importante do que marcar um certo estilo queremos marcar pessoas, inspíra-las, dar-lhes algo que elas também sintam como delas. Gostávamos que as pessoas vissem este álbum como aquele amigo ao qual não tens que dizer nada pois ele sabe exactamente como te sentes e que te diz as palavras certas para te fazer sentir melhor.

LAF - A vossa digressão além-fronteiras inclui mais algum país, além da Inglaterra?
JC - Queremos fazer as coisas com calma e por fases, não dar um passo maior que as pernas. De momento vamos concentrar-nos em Inglaterra, tentar cimentar a nossa música por lá e depois logo se vê, mas sim queremos tocar no maior número de sítios e países possíveis, quem sabe num futuro próximo uma tour europeia ou americana.

LAF - Existe algo que queiram acrescentar?
JC - Queria agradecer pela entrevista, as melhores das sortes para o blogue e para a tua divulgação de bandas portuguesas, pois desempenham um papel fundamental na vida das mesmas. De resto, para quem quiser conhecer melhor quem são e o que fazem os Rejects United passem por o www.myspace.com/rejectsunited, adicionem-nos, deixem um comentário, mandem uma mensagem, serão mais que bem vindos a família dos rejeitados.

04 julho 2008

Eternal Decision

Como prometido, segue aqui a entrevista aos Eternal Decision. Quem respondeu às perguntas foi Tommy Torres, guitarrista da banda. Deixo aqui, então, uma interessante entrevista, na qual Torres desmistifica tudo relacionado com a sonoridade "Metallica" da banda, assim como outras coisas não menos interessantes:


LAF - There isn’t much information about you on the Internet, only short references to Eternal Decision on Wikipedia and your MySpace. In a brief summary what do we need to know about this band? How did you form, in what circumstances, how did you decide what path your career should take, how many releases do you have, etc…?
TT - I would say the fist part of our band met back in 1989 with Joe Chambless (Bass/ Vocals) and myself (Guitar) in high school. We met during a church trip we were both on. We discovered we both had some musical creativity. It was during this trip we became best friends and started playing music. We wrote some pretty silly stuff back then. A couple years later, Joe met Kirk Campbell (Drums) and Dusty Derickson (Guitar), which completed the first Eternal Decision lineup. Dusty played with us for about a year before calling it quits. Kirk brought in Cory Boatright, which was a better fit on guitar for us. This was the Eternal Decision lineup from about 1992 until our last album in 2003. We recorded several demos in the beginning, and ended up recording 3 full length albums.

LAF - You are “classified” as a Christian Metal band. How do you define the spirit of the band and this approach to religion? Is it so important for you to embrace religion in your lyrics?
TT - Everyone in the band is a Christian, weather there is a band or not. It is a personal decision each of us made and naturally it shows in our music. Our lyrics were always a direct reflection of our lives and those around us. Being a Christian doesn’t mean everything is perfect or that we are flawless. We are far from it! I think the difference being is how we deal with those difficult times as well as the great times. It would be a correct classification in labeling us a Christian band.

LAF - Is it Joe or Cory that sounds like James Hetfield?
TT - Joe has the more James Hetfield like voice. But he sounds like that if he’s singing our songs or other artist songs.

LAF - What is/are the reason(s) besides your lead singer (as there are two of them, I don't know if is Joe or Cory) trying to sound like James Hetfield?
TT - I’m not sure. I agree Joe has a similar voice, which is what most people mean when they compare us to Metallica. Sounding like them wasn’t our intention; it’s just how it came out.

LAF - James Hetfield already knows that there’s a band out there with a lead singer with a voice extremely similar to his voice?
TT- I’m sure there a tons of bands with a similar sound to his. And he’s heard it so much that he doesn’t even pay attention anymore.

LAF - Do you have the thought that a lot of your success particularly on Youtube is due to the fact that people confuse your songs with Metallica’s songs?
TT - It has in fact led a lot of people to find Eternal Decision. So that’s cool. This sort of thing has happened for years now

LAF - Why do you have an album leaked on the Internet as being the Demo of Metallica’s new album?
TT - We don’t. Someone does. I heard someone is charging money for it. I don’t know. There are all kinds of crooks out there I guess.

LAF - Do you dream that one day you could open a concert for Metallica?
TT - Not really.

LAF - What was the biggest concert Eternal Decision played at?
TT - At a festival in Illinois called Cornerstone. That was a cool trip.

LAF - What are the next plans for Eternal Decision?
TT - Currently, there are none. We’ll just continue to sell our 3 CD’s on our myspace page.

LAF - Do you want to add something to a Portuguese audience which is maybe the first time that read about Eternal Decision?
TT - For years, there have been some of our songs on the internet that someone put up as Metallica or Megadeth old demo’s and bootleg stuff. Don’t believe any of it. You can only find our music on our myspace page. We have had the chance to sell our cd’s around the world and it still sells today. Feel free to contact me through myspace anytime. God bless.

06 abril 2008

Baroness

Apesar de ter anunciado, há quase um mês, a minha entrevista a Allen Bickle, baterista dos Baroness, só agora obtive a resposta a algumas questões que lhe havia colocado, na altura, pois a banda anda em digressão pelos Estados Unidos. A origem da banda, as suas influências, o novo álbum (The Red Sky) , assim como algo acerca do futuro, são assuntos desvendados nesta entrevista - de forma rápida e directa.

LAF - First of all, Allen, can you reveal the origins of the name Baroness?
AB - To tell you the truth I dont really know myself. Its not from G. I. Joe. Its always been a little blurry on how we all agreed on the name.


LAF - When someone refers to Baroness, Mastodon is the name that immediately comes up to associate with. Do you agree with this kind of relation or do you feel like living in the shadow of this band? What is your opinion about them?
AB - I have always been a fan of Mastodon. We are trying to be one of our own. Taking in our own influences and making our own path. But, yes they are mentioned quite often.


LAF - What are the musical influences of the band?
AB - We all love the classic rock influences. We all grew up listening to punk, grunge, and indie rock. It was only til later that we all got into metal and really took it as some influence. We all have our own influences that we bring in. I myself played jazz in high school and in college. I like to bring in as much different styles into the music, jazz has always kept my mind open to new paths.


LAF - What are the subjects focused on Baroness’s lyrics?
AB - There are alot of literary references and life tribulations.


LAF - Do you think the fact of John Baizley being also a painter helps the band to express better its ideas by the artwork of the covers?
AB - He took it upon himself to do the art work when we started and from there we just left it up to him.


LAF - How did you face the fact of The Red Album has been elected Album Of The Year by the heavy-weight Revolver magazine?
AB - Extremely honored... We were very excited, naturally.


LAF - Are you working already on new material or you’ll leave that for the after tour period? When are you expecting to release the successor of The Red Album?
AB - We have been writing a lot. We probably have about half of the album written now. I really dont know when we will go record next. We want to make sure we follow through touring with the Red Album before moving on. We are feeling confident on the new songs. We have been playing a couple live now just to feel them out. Maybe you can check them out if you see us on the road.

01 fevereiro 2008

Fair To Midland

Como prometido, segue aqui a entrevista ao guitarrista dos Fair To Midland (Cliff Campbell) que, apesar de andar seriamente ocupado com assuntos ligados à banda, disponibilizou algum tempo a responder a oito perguntas, tanto acerca do novo lançamento (Fables From a Mayfly: What I Tell You Three Times is True), como sobre a banda, em geral.

First, let me congratulate you for the great band Fair To Midland is and thank you for accepting to do this interview.


LAF - So, Cliff, tell me about the joining to Serjical Strike.
CC- Serjical Strike was the best label for us to get on because of Serj [Tankian]. It is very hard to find a label in this industry that has people that truthfully respects and cares about their artists. Serj is one of those people.


LAF - How is like to work with Serj Tankian?

CC - It is great. We got to put down the music on the album the way we wanted it because of Serj. He is a very enlightening human being.


LAF - Fables From a Mayfly... is receiving positive critics everywhere, Dance of the Manatee is getting airplay across America and you played at Coachella Festival last year. How are you guys facing the fact of suddenly have all the eyes over you?
CC - Well sometimes it is a little odd, but for the most part it doesn't phase us. We play the same show for 10 people that we do for 10,000 so it is all the same in that respect. We are very appreciative of the kind words people have been saying in reviews.

LAF - Your composition style is so original that is extraordinary to listen those rhythm variations and instrumental combinations. How works your composition process?
CC -
Well a lot of the songs will be put together by one of us mostly and then brought to the table to add vocals too. I think that has a lot to do with where he ends up going vocally. We also have varying musical tastes in the band such as country, metal, pop, none, industrial, stoner rock.

LAF - In this record we are presented with a great sense of melody and strength , heaviness at the same time. Who brings the melody and who brings the heavy sounds?
CC -
Darroh of course vocally, and Matt has a great sense of where each song should go when I am playing all of the heavier riffs I compose. I tend to be the heaviness.

LAF - Fables From a Mayfly... could be seen as the starting point of a great career?
CC - It could be looked at in many ways nowadays. I will be optimistic and say yes.


LAF - Maybe you have been asked this thousands of times, but what musical genres define Fair To Midland? Prog Rock, Alternative Metal, Art Rock?
CC -
I can see art rock more so than prog. I remember this being the "no comment" question for me at all of the interviews [risos]. I always tell people we are a Patsy Cline cover band, but I don't think you can get away with that.

LAF - Could we expect an European tour this year?
CC -
I am hoping for one, but moneywise I don’t see it happening for a good amount of time.

19 janeiro 2008

Primitive Reason

Os portugueses Primitive Reason lançaram seu novo trabalho, o EP Cast The Way, no passado dia 17 de Dezembro, o qual se encontra à venda justamente on-line. Como tal, fiz uma pequena entrevista à banda, através de e-mail. De boa vontade e descontraidamente, o vocalista e percussionista da banda, Guillermo De Llera, respondeu a seis questões acerca deste novo lançamento.


Antes de mais, gostava de prestar os meus sinceros agradecimentos, tanto à banda como a John Coito da Kaminari Records, pela tempo e vontade disponibilizados para que esta entrevista se chegasse a realizar. Os meus parabéns, também, pelo magnífico EP produzido.


LAF - Porquê o nome Cast The Way?

GL - Escolhemos o título Cast the Way, por duas razões: uma, era que 'to cast the way', em Inglês, significa algo como lançar o caminho, metafórico, para escolher o caminho a andar. A sonoridade deste EP foi algo conseguido conscientemente, através da escolha e do trabalho objectivo, e por isso o título pareceu-nos adequado; a segunda razão é que, Cast the Way é também o nome de um tema do caralho!


LAF - Em Cast The Way, apesar de nos chegar um som claramente à Primitive Reason, nota-se um ambiente mais sombrio, mais melancólico, nomeadamente em The Reckoning Beneath. Tal facto deve-se a quê? À entrada de elementos novos ou de uma ideia previamente formulada acerca do que este EP iria soar?
GL - Esse facto, que tu mencionas, de o EP Cast the Way ter um som mais melancólico ou sombrio, é algo que nós realmente não notamos. O the Reckoning Beneath, nunca nos pareceu nem sombrio nem melancólico. A única explicação que encontro será que as escolhas de estilos musicais utilizados na construção dos temas em Cast the Way, dê a entender uma temática ou estética musical mais sombria, se se considera certos estilos musicais mais sombrios que outros. Porventura, a falta de certos estilos musicais normalmente incorporados nas composições de Primitive Reason, como o Étnico Tribal mais percussivo ou Africano e Afro-Cubano, pode fazer parecer, enganosamente, que o som é agora mais sombrio. Por último, o tempo, ou pulsação da música pode também dar a entender uma direcção mais pensada, pausada e portanto melancólica.


LAF - Este EP será promovido apenas em Portugal ou já têm datas internacionais agendadas? Ou pretendem agendar? Ou vão esperar pelo lançamento do LP para fazer a Tour?
GL - O EP faz agora parte do nosso catálogo que é internacional. Estamos a finalizar contratos para tocar fora de Portugal em breve.


LAF - Sobrou algum material para compor o LP a sair no Verão da produção de Cast The Way?
GL - Sobrou material demais. A confusão depois é mesmo escolher e decidir quais dos 'sketches' trabalhar. Felizmente para nós, a criatividade é coisa que nunca falta. Aliás temos carradas de músicas que ficaram pelo caminho (atenção, estão bem guardadas! [risos]) de discos passados, que de vez em quando vamos procurar para fazer 'renascer' alguma ideia antiga que não nos larga o pensamento.


LAF - Com 15 anos de carreira, 5 álbuns editados e um som único, fundamentando-se numa enorme fusão de estilos musicais, uma grande interacção com os fãs - nomeadamente pelo passatempo da artwork da capa deste EP -, os Primitive Reason sentem-se uma banda subvalorizada, "demasiado" Underground?
GL - Acho que não no que se refere ao estar demasiado Underground, visto que estar menos Underground do que isto quase que significaria estar no meio de pessoas e negócios que não encaram a música como algo que faz, e sempre fez desde os primórdios da evolução humana, mais parte da grande Alma humana que do mundo rasca do enrasca-desenrasca / tira-arranca /copía-regurgita...(vou parar se não fico aqui a tarde toda. :) Sobre sermos uma banda subvalorizada, da perspectiva da música como arte e criatividade, claro que sim.


LAF - Numa palavra como se descreve toda a carreira dos Primitive Reason?
GL - Supercalifragilisticexpialidocious.